Contos e Histórias de Tonton

Contos, histórias, poesias e muito mais coisas do mundo literário de Antonio Nunes, carinhosamente chamado de Tonton por amigos e familiares.Visite também: http://contonton.blogspot.com

27/1/09

Qual o tamanho ideal de um conto?

 

 

Por Antonio Nunes

 

Certa vez me perguntaram: – Tonton, qual o tamanho ideal de um conto?
Pensem numa perguntinha difícil de responder! Existem maravilhosos contos mais longos e estupendos contos curtíssimos. Diria que a beleza da arte-técnica do conto não está, necessariamente, em seu número de linhas ou de páginas. Depende, antes de tudo, da intenção do escritor. Ele pode pretender dar o seu recado em um microconto (de até 150 palavras) ou em um conto com maior número de páginas. A força da qualidade da narrativa não reside em seu tamanho, mas na capacidade de alcançar o objetivo pretendido, de prender o leitor, cativar o seu interesse etc. Embora o tamanho ou número de páginas ou palavras, por vezes, seja tomado como critério para a classificação dos gêneros literários (conto, microconto, novela, romance etc.), creio que esta discussão não faz sentido ter lugar neste momento. Assim sendo, passemos a uma análise de caráter pessoal, que não tem a menor pretensão de ser dona da verdade, mas apenas contribuir para que escritores iniciantes – ou com menos estrada do que eu – possam refletir e alcançar as suas próprias conclusões a partir do que aqui lhes disponibilizo. Espero, sinceramente, que este escrito possa lhes ser de utilidade.
Cordial abraço, da terra do frevo e do maracatu.

Bom, sem dúvida, um conto tradicionalmente não se alonga, ou melhor, em geral, é curto. E essa medida pode se dar em distintas perspectivas. Quatro ou cinco laudas manuscritas que, quando digitadas ou impressas em um livro, não passam de duas ou três páginas e que, no meu humilde entender, se configura como espaço mais que suficiente para se “dar o recado”. Não raro, a beleza de um conto, que é justamente a concisão – ainda que com profusão de detalhes cuidadosamente ali colocados para seduzir ou encantar o leitor, atraindo-lhe a atenção para a narrativa, envolvendo-o e desarmando-o, deixando-o à mercê dos artifícios criativos e das intenções do escritor – fica comprometida quando este se alonga demasiadamente. A arte do conto, como a entendo, reside justamente em dizer mais com menos. Então, é preciso cortar do conto o que for supérfluo. Todavia, em algumas narrativas, para uma melhor caracterização do cenário, da situação ou mesmo do(s) personagem(s) envolvido(s) será necessário esticá-lo um pouco mais do que habitualmente nos permitimos ou nos impomos como limitantes. Façamos, então, as devidas concessões. Contos mais longos pode ser uma questão de estilo. Embora, como já afirmei, prefiro os mais curtos que não necessariamente serão os melhores ou aqueles, os mais longos, serão piores. Alguns podem demandar mais páginas, e pronto! Difícil, porém, será manter o desejado grau de excitação do leitor por páginas a mais do que em outras narrativas. O fato de uma determinada narrativa ser mais longa do que normalmente escrevemos ou encontramos não desmerecerá ou invalidará jamais a sua qualidade contística. Pelo contrário, às vezes, um ou outro texto mais longo, entremeado por outros mais curtos em uma coletânea, serve justamente ao propósito de propiciar ao leitor uma folga providencial para que possa respirar um pouco menos ofegante – ou como outros prefeririam dizer, com mais calma – antes de partir para o próximo escrito. Sendo assim, se dá na medida certa, medida coletiva. Do contrário, se todos os textos forem excessivamente longos, uma fadiga inexorável alcançará o leitor, a menos que uma maestria narrativa lhe seja imposta aos olhos e à mente, envolvendo-o e dominando-lhe a percepção, o que é extremamente raro. O ideal é quando o leitor toma o livro em mãos e, dispondo de algum tempo, somente o deixará de lado ao ler o contido na última capa… Ou seja, como dizemos aqui no nordeste do Brasil, "leu tudinho de uma tirada só!”…

criado por contonton    17:50 — Arquivado em: Contos, Pessoais

5 Comentários »

  1. Oi tonton!Como andas???
    Como anda a produção dos contos????
    Sumiu????
    Estamos com saudades de bons contos
    abraços

    Comentário por Taty Braga — 19 de junho de 2009 @ 13:20

  2. Olá, meu amigo
    acho que contar e saber o número de palavras “deu” origem ao nome CONTO. Concordo contigo em não querer aceitar tamanhas classificações. Costumo dizer que se houver a transmissão da história na qual possam ser percebidos um local, uma ação, um tempo e um personagem, geralmente o conto está “contado”.
    Pouco importa o seu tamanho. Há contos que, por maiores que sejam, nunca chegam a ser uma novela ou a um romance. Quando a gente lê a gente percebe a estrutura se fazendo presente e dizendo o seu nome. Abraços autografados.

    Comentário por carlos dantas — 12 de setembro de 2009 @ 9:43

  3. Vá ler!

    Importa o tamanho se a mensagem foi passada?
    Valeu?

    Comentário por Carlos Dantas — 9 de abril de 2010 @ 10:22

  4. Prezado Antônio, como sempre escrevendo bem! Pra vc duscutir a quantidade de linhas/palavras de um conto não é necessário, pois em muitas ou em poucas palavras você sempre “dá conta do recado”! Saudades de nossas conversas e das leituras de seus ótimos contos! Abraços.

    Comentário por AELSON ALVES — 16 de setembro de 2011 @ 15:32

  5. Concordo, a beleza do conto está no em seu conteúdo e não, necessariamente, no seu tamanho. O importante é a maneira como a mensagem é transcrita

    Comentário por cumade — 13 de julho de 2013 @ 11:55

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