5/1/09
Um enigmático conto de Natal…

Por Antonio Nunes
Vinte de dezembro. Os corredores do shopping center estão cheios de pessoas a buscar os últimos presentes. Há dificuldades em tudo. Para encontrar uma vaga no estacionamento, para encontrar o brinquedo desejado pelos sobrinhos, para encontrar o último best-seller lançado nas livrarias, para se encontrar um vendedor livre e ainda disposto a atendê-lo por àquelas horas.
Já é quase fim de expediente, algumas lojas já estão cerrando as suas portas e somente os clientes que se encontrarem em seu interior serão atendidos. Não sei por aonde ir. As ideias sobre o quê e a quem presentear cada coisa parecem não fazer sentido algum. Decido, instintivamente, ir ao pavimento inferior ao que me encontro. Apresso-me. Muitas outras pessoas parecem ter a mesma iniciativa. Procuro apoiar-me no passamão; uma queda em meio à multidão seria mais que vergonhoso, seria desastroso.
E eis que outro alguém tem a mesma iniciativa no mesmo momento. Acabamos por tocar as nossas mãos. A minha por cima da dela. Soube que era ela pois, de imediato, fomos levados a procurar o rosto um do outro e, como se daquele gesto simples resultasse algo pecaminoso, demandamos desculpas mutuamente.
– Não por isso! – respondemos em uníssono.
O sorriso em nosso semblante sobreveio, em uma fração de segundos que parece perdurar uma eternidade. Atrevo-me a convidá-la para um café. Sem hesitação, ela aceita. Aquele encontro selaria o fim dos meus dias… Ao final do capuccino – e já não havendo mais o que fazer naquele ambiente –, ela me convida a tomar um drinque em sua casa e a continuarmos a agradável conversa sobre a vida, literatura, etc. Enfim, sobre tudo.
Não sabia eu que aquele seria o fim…
criado por contonton
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