Contos e Histórias de Tonton

Contos, histórias, poesias e muito mais coisas do mundo literário de Antonio Nunes, carinhosamente chamado de Tonton por amigos e familiares.Visite também: http://contonton.blogspot.com

29/10/08

Notícias de Balu…

Caro Tonton:

Recebi um e-mail, meses atrás, com a seguinte mensagem:
" Procura-se um daschund preto, de gravata borboleta, que atende pelo nome de Balu.
Visto a última vez em um evento na Aliança Francesa,em Recife, no mês de maio deste ano. Quem o achar, favor contatar Tonton….."
Repassei a mensagem a amigos, estes a outros e assim por diante.
Desde então, via correio eletrônico, soube que ele foi visto em vários lugares e dentre eles, nesta cidade em que moro, São Paulo. Segue-se a última informação que recebi que talvez, seja-lhe últil de alguma forma.

" Um daschund preto, de gravata borboleta, foi visto em companhia de uma moça em um grande parque da cidade de São Paulo, no mês de outubro. Inquirida sobre o mesmo, ela respondeu: certo dia, eu havia deixado meu carro, com a porta aberta e ele entrou. Como não quis sair, levei-o para casa, onde ficará até quando quiser, pois é um espírito livre. Nada mais disse a respeito e foi-se embora com o cão."

Sem mais,

Mia

Comentário de Tonton:

Viram como é legal a gente ter amigo que se preocupa com as preocupações da gente? Bom, é isso, se você, você mesmo que lê esta mensagem agora, agorinha mesmo, viu Balu por aí, seja onde for, por favor, escreva-me para me dar notícias dele. Serei imensamente grato.

criado por contonton    6:22 — Arquivado em: Contos, Pessoais

28/10/08

Tô com o Saci em 2014

 

Por Antonio Nunes Barbosa Filho

 

Eu aderi a campanha O Saci para mascote da Copa do Mundo no Brasil em 2014.

Nada mais brasileiro do que o Saci: moleque, mulato, defende a natureza e faz mil piruetas.

Uma forma de participar é o envio de mensagens de apoio diretamente à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no site www.cbf.com.br ou diretamente para a Assessoria de Imprensa da entidade no comunicacao@cbffutebol.com.br

Divulgue esta idéia entre os seus amigos.

Vai lá moleque e dá um drible daqueles neles.

criado por contonton    18:39 — Arquivado em: Pessoais

27/10/08

Testemunhas fiéis…

Por Antonio Nunes Barbosa Filho

"Eu tenho duas testemunhas fiéis de minhas muitas leituras: o meu travesseiro e o meu cartão de crédito…".

 

criado por contonton    21:17 — Arquivado em: Contos - MM, Pessoais

19/10/08

Juro que jamais fui candidato a nada…

 

 

 

Esta foto ai me foi enviada por Hélio (que vive tranquilamente am alto-mar, a maior parte de seu tempo, ao lado da comandante Mara - ele é só o marujo…). rs! Visitem o blog do Maracatu, listado entre os preferidos, vale a pena!

 

E tem mais, juro que jamais fui candidato a nada… nem em Recife (terra do frevo e do maracatu), nem em lugar nenhum do mundo!

 

Segue a mensagem original, com a devida explicação do local da foto.

 

Foto feita em Barra Grande, na península de Maraú. Viu, mesmo viajando lembrei de você!

Quando os motes surgirem, te aviso.

(comento: ele sempre tem boas historias e detalhes para boas histórias… eu só pedi para me enviar, de quando em vez, algumas… ra ra!) 

Bons ventos sempre,

Hélio
de bordo do MaraCatu
www.veleiro.net/maracatu
maracatublog.wordpress.com

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criado por contonton    14:51 — Arquivado em: Contos, Contos - MM, Pessoais, Poesia

18/10/08

No gogó de Glória…

 

 

Por Antonio Nunes Barbosa Filho

 

Naquela noite D. Glória estava agitadíssima. Afinal, fazia anos que aguardava por aquele dia. Sem dúvida, tinha tudo para ser mais que especial. E ela iria estar muito bem acompanhada. Estaria ao lado da melhor amiga, daquelas desde a infância, de sua filha e de seu melhor amigo, 50 anos mais novo e cheio de energia para acompanhá-la nas aulas de dança de salão, de hidroginástica e de tantas caminhadas ecológicas, que fazia costumeiramente apesar de suas quase oito décadas de vida.
Depois de anos sem realizar shows na cidade, Chico Buarque estava de volta e iria propiciar uma felicidade única para Gogó, como era mais conhecida pelos mais próximos. Afinal, vencera horas nas filas da bilheteria para conseguir ingressos para todos e merecia viver aqueles momentos com toda a intensidade possível. Era notória a admiração pelo compositor e mesmo pela pessoa. Poderia morrer feliz daquele dia em diante, embora nem passasse por sua cabeça um pensamento desses…
Binóculos em punho, mirava-o continuamente e cantava lado a lado com o seu ídolo cada uma das músicas do show. Sentia-o tão perto que, por vezes, esticava as mãos com se pudesse tocá-lo, acariciá-lo. Calores do ambiente à parte, cuja refrigeração já não dava vencimento a toda energia desprendida no constante balançar, Gogó passeava a língua nos lábios a cada gole de água mineral, na garrafinha plástica cuidadosamente escondida sob o casaco jeans que àquelas alturas já havia sido deixado esquecido sobre o assento, que permaneceu vazio por quase toda a noite. Será que ela imaginava beijar aqueles belos olhos azuis? Sabe-se lá o que se passava por aquela mente criativa…
Satisfeita da vida, ao sair do teatro tomou o amigo pelo braço e comentou que devia estar deixando muitas mães invejosas que estivessem a observá-los, pois pareciam mãe e filho, e muito felizes um em companhia do outro. Ele em tom de ironia retrucou: - Devem estar pensando outra coisa, como, por exemplo, a velhinha aí deve ter muito dinheiro. E sorriu. Ao que ela respondeu, de imediato, em igual tom: – Que nada, se fosse para pensarem assim, a nossa atitude seria outra! E gargalharam com o bom humor habitual que os unia em amizade, apesar da diferença de idade.
Chegando a casa, horas de cantoria e calor fizeram-na queixar-se de dores na garganta. Fez um rápido gargarejo com água aquecida e sal e jogou-se na cama, exausta da intensa folia.
No dia seguinte, como não podia deixar de ser, foi ao Dr. João Raimundo, médico amigo da família, clínico geral que já havia cuidado de três gerações da família. Falou-lhe do incômodo na garganta. Ele pediu-lhe que sentasse numa poltrona para exames e perguntou do ocorrido buscando fazer a anamnese, enquanto ajustava o foco que trazia preso à testa. D. Gogó, sem pensar muito no que dizia, respondeu-lhe: - Ah, Mundico – disse em ares de intimidade – foi uma noite inteira com o Chico Buarque. E escancarou a boca para que ele pudesse ver-lhe a garganta. Em meio ao exame, completou: − Ah, antes que me esqueça, pus um salzinho pra ver se melhorava…
Pelo que se sabe, o médico arregalou os olhos e desmaiou ali mesmo… Apagou profundamente e somente se recuperou minutos depois. Meio assustado, mas se recuperou…
Ainda bem, imagine se Dr. Raimundo morre e sai na mídia, na primeira página dos jornais, a seguinte notícia: “Chico Buarque causa a morte de médico em Recife”. Não ia ser nada fácil explicar que havia sido por causa do gogó da Gogó…

 

criado por contonton    22:28 — Arquivado em: Contos

15/10/08

Antiguidade…

 

 

Por Antonio Nunes Barbosa Filho

 

Para queridas amigas paulistanas…

 

Fazia muitos anos que residia em São Paulo. Aqui chegara a busca de trabalho e, também, em razão de minha rebeldia. Achava que a partir daqui poderia fazer ponto de partida para todo o mundo. E consegui, deixando para trás laços familiares e amizades.
Foi então que, para minha surpresa, recebi um recado do jornal onde trabalhava como free-lancer. Não sei como ela obtivera aquele número. Era exclusivo para os informantes que, eu e o meu companheiro de páginas policiais, mantínhamos modicamente remunerados pelos quatro cantos dessa metrópole sem fim, que se agiganta mais a cada dia.
Acredito que foi o fato dela dizer que foi minha namorada, hoje amiga querida e que queria, precisava muito me encontrar. Ela sempre teve jeito para essas coisas, para pedir e ser atendida.
Ela estava hospedada em um velho hotel, próximo ao Largo do Arouche. Eu acompanhava as diligências de um crime passional que tinha tudo para ganhar as primeiras páginas. Disse-lhe que me encontrasse em Vila Mariana, em um bar desses de esquina – afinal, diga-me se souberes, porque existem tantos bares em esquinas? –, no qual se reúnem os amigos para botar a vida em dia. Em poucos minutos estaria lá, me surpreendendo com o que os meus olhos me mostravam…
Ela não tinha mais o vigor e o viço da juventude, da época em que trocávamos juras de amor, mas guardava o encanto de seu sorriso. Trazia no corpo um vestido desbotado e sobre os ombros um velho xale surrado, que não tardaria a se desfiar por completo se tivesse algum de seus fios puxados… Perfumada sim, mas com uma fragrância de patchouli barata – o que me levou, por instantes, a rememorar dos anos de amor livre, anos rebeldes. Tinha a maquiagem borrada, como se tivesse acabado de chorar. Sombra do que já foi um dia…
Todavia, trouxe-me novidades. Relembrou-me outras coisas do passado, coisas de outrora. Juntos, de braços dados, seguimos ao “Túnel do Tempo” , onde a modernidade do lugar contrastava com algumas das peças expostas. Quase tudo à venda, menos a nossa amizade sincera, apesar de tudo…
E me deu notícias, indicações preciosas que poderiam me levar ao Pullitzer ou ao Esso…
Agora é só aguardar… Abriu-me novos rumos, inesperadamente…

criado por contonton    10:00 — Arquivado em: Contos

13/10/08

Sim, Tônia…

 

 

Por Antonio Nunes Barbosa Filho

 

Ele mais que admirava os casais que viviam em verdadeira harmonia conjugal. Aqueles que – por livre e espontânea vontade não impunham ao outro seus mimos, seus caprichos, suas esquisitices – sabiam viver em perfeita sintonia. Invejava-os!
De origem humilde, tinha se casado com uma mulher bem mais velha e dominadora, que bradava aos quatro ventos que o libertara de uma vida celibatária, sem encantos e sem prazeres, já que, para escapar da fome e da miséria em seu rincão natal, ele havia ingressado ainda bem jovem em um seminário, de onde saiu poucos dias antes de ser ordenado padre, após conhecê-la – aquela que viria a ser a sua futura esposa – nos ofícios funerários de sua tia-avó. Parenta essa, aliás, que lhe deixou polpuda herança e que se tornou a origem do suplício que o afligia.
Bem, isso tudo agora era passado… No presente, tudo o que lhe sai da boca ou que ele sabe dizer é: – Sim, Tônia!
Mas, ele jurou para si mesmo que nunca mais iria submeter-se àquele vexame, que iria matá-la. Já não agüentava mais tanta humilhação… Planejaria e executaria…

criado por contonton    3:39 — Arquivado em: Contos

12/10/08

Conspiração…

 

 

Por Antonio Nunes Barbosa Filho

 

Sigismundo era um cara realmente odioso. Sentia um prazer incomensurável em causar transtornos à humanidade. Pense num sujeito abominável, detestável mesmo! Técnico em química ele desenvolveu um plano terrível, insuperável, inimaginável. Queria que todas as pessoas do mundo, onde quer que vivessem, sofressem um pouco de seu terror interior de todas as noites: as goteiras das torneiras de sua quitinete – quer dizer, da cozinha e do banheiro – que não paravam de pingar e o deixaram pra lá de maluco. Então ele resolveu se vingar de todo mundo! Desenvolveu um extrato corrosivo de borrachas, vedantes, isolantes, solas e todos os outros meios capazes de interromper o fluxo de água pelas torneiras. Pense num grude poderoso! E olha que ele poderia até ter ganhado o Nobel de Química pela substância inventada, que mais parecia um míssil teleguiado. Nem mesmo o mais potente dos sistemas de tratamento de água conseguia filtrá-lo e que, por cima, não se decompunha em contato com o esgoto, efluente ou coisa parecida. Recirculava continuamente provocando vazamentos por onde passasse. Ele conseguiu! Não ouviu o gotejar? Ping, ping… Conserta logo esse negócio… Ping, ping… Ouviu? Até a sua casa já foi atingida por ele! Ei, aonde você vai? Ah, foi colocar um balde sob a goteira. Vai lá! É melhor fazer isso mesmo. Ainda não descobriram algo capaz de antagonizá-lo. Não tem jeito… ping, ping, ping, ping… Acho que você também vai pirar igualzinho a ele! Duvida? Dizem que ele morreu maluco, coitado… Esqueceu-se que até mesmo a casa dele estava ligada à rede de distribuição e de esgotos da cidade. Não suportou tanto ping, ping, ping…

 

 

criado por contonton    20:33 — Arquivado em: Contos

10/10/08

Aos olhos da Igreja…

 

 

 

Por Antonio Nunes Barbosa Filho

 

Com exceção à missa das cinco da tarde de domingo – antecipada para as quatro e meia, para terminar antes do entardecer e que, assim, todos retornassem à salvo para os seus sacrossantos lares –, que estavam assistindo naquele momento, ninguém mais se atrevia a sair de casa após escurecer naquela anteriormente tão pacata cidade de interior. Somente nos últimos meses mais de trinta pessoas haviam sido misteriosamente mortas. E o intervalo entre as mortes vinha diminuindo, isto é, a freqüência de velórios estava aumentando. Todos na cidade perguntavam quem ia ser o próximo e ninguém, absolutamente ninguém, queria sê-lo. Era realmente assustador…
Para ser mais preciso já se contavam agora trinta e duas mortes. Pai e filho estavam sendo velados no instante em que o delegado federal chegar à cidade no dia anterior. Sim, por que o caso ganhara tamanha repercussão que até colocara a pequena “Depois do além” de volta ao mapa. Não é toda cidade que tem um serial killer não! Agora, se isso vem a ser um privilégio, eu acredito que não…
Quem poderia ser o misterioso assassino e como ele poderia se esconder a tanto tempo se todos na redondeza se conheciam? Só podia ser coisa de gente de fora, diziam. O povo daqui sempre foi pacato e ordeiro e não á capaz de uma coisa dessas não, também diziam. Mas fazia tanto tempo que viv’alma não aparecia por aquelas bandas. Nenhum carro ou outro veículo qualquer – mesmo de tração animal – de outro lugar viera dar naquelas terras tão longínquas. Dúvidas, dúvidas, dúvidas…
O clima de insegurança e de nervos na cidade estava ficando insuportável. Tinha gente até pensando em ir embora dali, de vez, de uma vez por todas, para nunca mais voltar. E pelo jeito o lugar tinha tudo para virar uma cidade-fantasma…
Cada vez mais recorriam à igrejinha para buscar conforto espiritual e ouvir as sempre reconfortantes palavras do padre Pilatos, que de tanto trabalhar a terra na horta que mantinha nos fundos da igrejinha e com a qual ajudava a alimentar as criancinhas do orfanato da região, tinha as mãos e as unhas, em especial, sempre escuras. Até parece que ele não gostava de repetir o ato pelo qual o seu homônimo mais famoso havia entrado para a história. E ele, cerca de 2.000 anos depois, também iria entrar para a historia…
Após seus sermões maravilhosos, geralmente a respeito do paraíso e da vida eterna, convocava todos os presentes para um ato de generosidade, de desprendimento na forma de donativos para as suas criancinhas. E fazia questão de passar pessoalmente a sacolinha. Até que, naquele domingo, foi preso…
Foi o delegado federal Carlos Nélson que o prendeu ali mesmo na sacristia. Em entrevista em rede nacional ele explicou a lógica do caso. Disse que havia levantado os antecedentes de todos os habitantes, um por um e que havia descoberto que o pároco da cidade, na verdade, era um viciado em alucinógenos e que cultivava os seus próprios cogumelos e outras “coisitas” mais no mesmo e adubado terreno vizinho ao cemitério. Não que não houvesse verduras e legumes…
Mas como? Foi a pergunta geral.
Ele era tão cuidadoso com todos e realmente se dedicava com afinco às criancinhas. Pelo menos padre de verdade ele era, questionaram. Quanto a isto o delegado silenciou. Preferia ou não podia responder com certeza… A coletiva se encerrou ali…
Foi no interrogatório que tudo se esclareceu…
O delegado falou ao agricultor da liberdade e da rebeldia:
– Pois bem, Pilatos. A prova de todos os seus crimes está em suas mãos, sob suas unhas. Vou pedir o exame técnico delas. Tenho certeza de que vamos encontrar em sua pele muito mais que a pólvora dos tiros disparados à queima roupa anteontem. Confesse, é o melhor a fazer…
E ele confessou tudinho, tin-tin por tin-tin…
– Fui eu! Fui eu quem matou todos aqueles miseráveis!
– Mas por quê? Qual a razão? Que critérios utilizava para escolher as suas vítimas? Diga-me tudo, não esconda nada…
– Um dia, quando me preparava para falar com Deus, ouvi claramente uma voz que me disse para relacionar em duas listas os que contribuíam com a causa das criancinhas e os que não…
– O que devo fazer? És enviado de quem? – perguntei à voz que parecia vir dos céus.
– Mate-os! Pegue a lista dos que não contribuem e mate-os, um por um… Vá tican(d)o… – disse a voz para mim.
– Eu só cumpria ordens superiores… – concluiu, entregando as mãos para ser algemado.

criado por contonton    22:30 — Arquivado em: Contos

9/10/08

Mais gueixas…

 

A gueixa o fita com seus olhos profundos e não diz nada…apenas lhe serve uma xícara de chá….

 

criado por contonton    10:06 — Arquivado em: Contos - MM
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