Contos e Histórias de Tonton

Contos, histórias, poesias e muito mais coisas do mundo literário de Antonio Nunes, carinhosamente chamado de Tonton por amigos e familiares.Visite também: http://contonton.blogspot.com

29/9/08

Comprinhas básicas…

 

Por Antonio Nunes Barbosa Filho

 

Quarta-feira, quatro da tarde, bem no meio da semana, ela me envia um torpedo pelo celular:
– Que tal uma daquelas nossas festinhas, hoje à noite?
– Claro! – foi tudo o que respondi.
Sabia que teria lugar em meu apartamento, faríamos o jantar juntos, curtiríamos tudo bem juntinhos – boa comida, boa bebida, boa música –, certamente dançaríamos e tudo o mais que de melhor pudéssemos imaginar…
Ela me passou mais um recadinho:
– Saio em meia hora, vou às compras e desligo o celular…
Era a senha para que eu providenciasse o vinho e a sobremesa. Teríamos sorvete com frutas cristalizadas ou uma torta, do tipo cheese-cake, Romeu e Julieta, queijo e goiabada, seus preferidos.
Quanto ao celular… Bem, este somente seria religado na manhã do dia seguinte. Recurso habitual de profissionais liberais que não querem ser encontrados por motivo nenhum, ainda mais quando há um bom, um ótimo motivo…
Às cinco da tarde, depois de um breve acordo com os colegas de trabalho, joguei algumas coisas para dentro das gavetas e outras para dentro da mochila que sempre trazia comigo.
– Segura as pontas aí, companheiro! Estou zarpando! – falei para o colega de departamento com quem estava dividindo as responsabilidades por um projeto em andamento.
Corri para um hipermercado próximo à minha casa e com a cesta de compras em mãos, dirigi-me apressado ao caixa de pequenas compras: três garrafas de um bom vinho, dois barbeadores e muitos, mas muitos preservativos mesmo… O resto do que me caberia para uma noite perfeita já tinha devidamente estocado em casa.
Foi então que me avistou a minha sogra, a mãe dela. Ao observar o que eu fazia passar pelo caixa, ela sentenciou:
– Boa tarde, Sr. Antonio, comprinhas básicas?
Como estava apressado para chegar a casa e receber a amada, acenei-lhe com a mão e corri para o estacionamento. Parecia até que estava fugindo de alguém…
Só então, já manobrando o carro, me dei conta do que poderia estar se passando pela cabeça daquela pobre genitora…
Sorri e imaginei:
– Com o telefone desligado… Bem, se ela não enfartar, amanhã vai ver a cara de felicidade da filha…
E com um quê de espírito de porco, à noite, nada comentei do acontecido no supermercado…

Ah, a noite? Maravilhosa, como sempre…

criado por contonton    20:45 — Arquivado em: Contos

28/9/08

A caneta da vovó…

 

 

Por Antonio Nunes Barbosa Filho

 

Para uma velhinha muito simpática que estava na Biblioteca Popular de Casa Amarela por ocasião da premiação do Concurso Luís Jardim, promovido por aquela biblioteca.  Embora apenas apreciasse o evento,  o conto que relato a seguir bem que poderia ter acontecido…

 

Quando ela apareceu com o seu casaquinho de lã rosa no auditório da biblioteca do bairro, com ares de quem já beirava os noventa anos, trazendo no cabelo uma reluzente tiara – certamente relíquia de família – e em seu passo lento dirigiu-se para o canto da sala, conquistou a todos com o sorriso que trazia no olhar.
Ficou lá, quietinha, aguardando a premiação, enquanto a juventude se agitava e demorava a se acomodar. Observava a todos, atenta, como se conseguisse penetrar na mente de cada um dos presentes. Talvez, àquela altura da vida fosse a única coisa que lhe restasse fazer.
Com o passar dos anos, o implacável senhor do tempo, impõe-nos limitações e cobra-nos o seu preço, levando de nós, pouco a pouco, nossas energias. Aquela vovó era um exemplo bem vivo deste destino, que só não atinge aqueles que cedo, ainda jovens, partem para o andar de cima.
A solenidade se instalou, compôs-se a mesa diretora dos trabalhos e foram nomeados, um a um, os vencedores do certame. Faltava apenas anunciar o ganhador do grande prêmio do júri. Foi então que, para surpresa geral, as atenções se voltaram para ela, pois a neta que a acompanhava vibrou entusiasticamente quando o título foi apresentado ao público.
“Uma noite de amor”, de Maria das Graças, 94 anos! – fez questão de frisar a idade o mestre de cerimônia.
E enquanto a maioria se perguntava se naquelas palavras cuidadosamente lidas, encenadas, se encontravam lembranças pessoais ou se tão-somente seriam fruto da criatividade de uma imaginação livre, sem limites, a vencedora do concurso, sinteticamente, sentenciou:
– Bem, o que tenho a dizer, além de agradecer a generosidade daqueles que julgaram e escolheram o meu conto? – questionou a si mesma e aos demais em voz alta, e continuou.
– Escrever é pura sedução, sentimentos que vêm direto do coração para a ponta da caneta…

E saiu dali feliz, certa de que, agora, já havia cumprido a sua missão na terra…

criado por contonton    17:21 — Arquivado em: Contos

23/9/08

Parte 8 - Caminhar de mãos dadas…

 

 

Por Antonio Nunes Barbosa Filho

 

Ainda não inventaram nada mais simples e aconchegante do que estar de mãos dadas. Não é o simples tocar ou apertar a mão de qualquer um, mas é aquele toque contínuo de mãos entrelaçadas, como se distancia alguma lhes fosse permitida, ainda que afastadas fisicamente…
Traduz o confiar, o dizer “estou aqui ao teu lado, para o que der e vier”, demonstrando ao mundo que aprecia a tua companhia e faça questão de exercê-la…
Não, não precisa dizer nada; mas se for preciso, sabemos que serão palavras de carinho, mesmo que duras, porque nos importamos com o outro…
Passa ano, entra ano e o dar as mãos não perece; pelo contrário, amadurece. Renova sentimentos, sensações a cada toque… Aquece…
Puxa o outro, incentiva, ampara; faz retomar o caminho certo, corrige o rumo, não se deixa perder…
É laço que une e que prende. É gesto corriqueiro, mas que ainda surpreende; pois o que mais se vê é um à frente do outro, como se necessitasse prevalecer…
É trazer, mas é estar ao lado, assegurando igualdade que tanto se proclama e que não vemos realmente acontecer…
É perseguir e ao mesmo tempo incentivar, é ser doce e ser forte, esteio que firma e porto seguro em tão vasto mar…
É âncora e catapulta… Suporta a queda e faz levantar, não deixa partir, mas permite sonhar…
É sinal de querer ou de que já não há mais vida se faltar, ao caminhar…
Vem, me dê a mão, vim te buscar…

criado por contonton    22:30 — Arquivado em: Contos

Parte 7 - Dançar olhando nos olhos…

 

 

 

Por Antonio Nunes Barbosa Filho

 

Não, você não precisa ficar o tempo inteiro olhando nos olhos do outro enquanto dança. Dê uma olhada discreta, ensaie, ou melhor, dê ou aceite um sorriso, retribua, no caso, e feche os olhos para sentir melhor a música, o leve embalar do corpo junto ao seu.
Que dançar solto que nada! Dançar coladinho é muito melhor!
Mas, se estiver dançando com alguém e esta pessoa desviar olhar do seu… desista! Fuja, se a convidou ou foi convidado por ela para a ocasião, seja educado! Permaneça em companhia dela por aquela noite, se estiverem a dois. Se estiverem em grupo, seja educado! Espere a música acabar e retorne ao lugar de onde saíram. Nenhuma música demora uma eternidade…
Mas, se desejar eternizar aquela ocasião − em sendo correspondido no olhar −, renove o sorriso ao olhá-la nos olhos, recoste o seu rosto no dela e puxe-a carinhosamente para junto de si. Com calma, para não sufocá-la… Que sensação gostosa, hein?
Mire-a bem nos olhos e aproxime-se lentamente de seu objetivo final e… voilá! Dali em diante, tudo pode acontecer. Tudo começa −ou termina − com um olhar!
Afague-a, a faça saber que você está curtindo cada segundo deste momento. Não, não pense jamais em perguntar se ela sente o mesmo. Se não estivesse, não estaria ali… Não é verdade?!?
Aproveite. Relaxe, deixe de pensar no depois e curta esse momento. Pode ser que, se você estragar tudo, não tenha o depois. Como estragar? Nunca deixe de retribuir aquele olhar…
Se o fizer, você pode ficar sem o agora…

criado por contonton    22:21 — Arquivado em: Contos

Devaneios 6 - Saber do outro…

 

 

Por Antonio Nunes Barbosa Filho

 

Sabe aquela pessoa que você imagina que é a pessoa de sua vida? Tem um jeito simples de você saber se está certo… Ponha-se a pensar sobre o que sabe do outro… Não, não bobagens como o time do coração, o que bebe quando sai com você, que tipo de roupa veste ou outras coisas aparentes e superficiais…
Tá bom, você está achando que está ficando difícil? Então vamos inverter as coisas… O que ela sabe de você? Tem certeza? Não, saber o quanto você calça, talvez, até colegas de trabalho saibam disto. Ela conhece os seus sonhos? Percebe como você se sente ao sair de um filme ou sabe o que você pensa a respeito de religião, política, aquecimento global ou sobre quem são os seus melhores amigos? Tá melhorando…
Mas, se antes de tudo, ela se interessa em saber de você, já é meio caminho andado. Por outro lado, se ela só fala do próprio dia, das preocupações dela, do cansaço dela e do amanhã dela, sem perguntar por aquilo que te diz respeito… sei não, a coisa vai mal… muito mal!
Para ser feliz é preciso olhar para além de si mesmo!
E isso não quer dizer que é preciso se anular, de forma alguma. É um compartilhar de emoções, preocupações e experiências de vida. Só assim se constrói algo que não se desfaz facilmente quando atravessa em nossos caminhos alguém diferente…
Conhecer alguém leva tempo, é preciso estar disposto!
E aí, como foi o seu dia?

criado por contonton    22:12 — Arquivado em: Contos

20/9/08

AJUDE O CONTONTON!

 

 

 

Atendendo a sugestão de um amigo-leitor deste blog, lanço a CAMPANHA: AJUDE O CONTONTON A COMPLETAR 100 MIL ACESSOS ATÉ O FINAL DO ANO.

Explico: Já atingimos a marca de 70 mil acessos desde janeiro deste ano, quando este blog foi ao ar. Aí, um fiel amigo e leitor deste blog sugeriu, meio que de brincadeira, que a melhor coisa que poderia acontecer até o final do ano seria o CONTONTON alcançar a incrível marca de 100 mil acessos!

Bom, a idéia é essa. Acesse, leia e divulgue o CONTONTON entre os seus amigos, convidando-os a também se engajarem na campanha. Agora é só esperar…

Em tempo: esta imagem é da Campanha da Fraternidade 2008.

Abraços a todos, da terra do frevo e do maracatu,

Tonton

criado por contonton    18:30 — Arquivado em: Contos, Contos - MM, Pessoais, Poesia

19/9/08

Agradecimento especial a você, Tonton!

 

Bom dia amigo,

Não sei ao certo como devo começar a contar uma história para um grande escritor, ainda mais quando ele faz parte dela, mas vou tentar vamos lá, sinto uma grande necessidade de lhe contar tão grande é minha felicidade!!!! Agora vc deverá estar se perguntando o quê vc tem que ver com isso, não é mesmo??? Pois saíba que minha alegria é única e exclusivamente culpa sua…rsrsrsrs…obrigaduuuu
Vc deve lembrar quando visitou meu blog: paellars.blog.terra.com.br,
e mandou um e-mail, dando uma dica de quem sabe colocar algumas receitinhas gastrônomicas…
achei bem interessante, então um certo dia fui pesquisar sobre o assunto e de cara encontrei receitas gastrônomicas no site da Knorr…e para minha surpresa estava lá uma promoção "receita milionária Knorr".
na mesma hora já fiz o cadastro, troquei o rumo da pesquisa, juntei tudo que tinha da knorr e enviei 9 receitinhas conforme os regulamentos da promoção;…. para encurtar o assunto, no dia 06/10 nos ligaram dizendo que entre milhares de receitas uma das nossas (Arroz a lá cazuela) teria ficado entre as 130 receitas mais saborosas, e que no dia 12/10 sairia o resultado das 100 finalistas….e não é que ficamos entre os 100!!!!!!!!!!!! Não ficamos entre os 10 mas estamos super contentes….muito obrigada kerido…vc nos trouxe uma oportunidade única e uma alegria imensa!!! Será publicado um livro pela Knorr onde irá constar as receitas e os nomes dos 100 finalistas.
"Uma palavra amiga alegra e pode transformar a vida de álguem".

Ah, estou lendo seus contos continuam maravilhosos…grande beiju da tua miguxa…   Simone

 

 

criado por contonton    18:23 — Arquivado em: Pessoais

16/9/08

Simpatizante…

 

Por Antonio Nunes Barbosa Filho

Para Flávia "Claudinha" Latini

 

Divinas era um cozinheiro de mão cheia. Não, você não se enganou, tampouco eu. Diocleciano, como diziam, tinha mãos divinas. Apesar das mãos aparentemente rudes, dos dedos grossos até, típicas de um caboclo da roça, ele operava milagres pilotando um fogão e fazendo quitutes da culinária mineira, em especial doces – sua especialidade.
Desde pequeno havia despertado o seu dom. Enquanto os outros meninos brincavam de fazer carrinhos de lata ou de rolimã para descerem ladeira abaixo, aproveitando a geografia da região, ele preferia fazer comidinhas para as bonecas e amiguinhas. Ele não sabia explicar bem, mas alguma coisa o incomodava. Foi então que ele seguiu os conselhos de uma psicóloga que se hospedou no hotel onde ele cozinhava, em Diamantina: partiu para uma viagem de encontro interior.
Chique mesmo teria sido ir para a Índia, para o Tibet, o Nepal – Katmandu devia ser linda naquela época do ano – ou para Santiago de Compostela, mas a escolha foi mesmo Machu Pichu. E lá foi Divinas, com todas as suas echarpes e lantejoulas, revelar o que supostamente estava escondido nas profundezas do seu ser.
Em plena praça central, ele encantou-se com a efusividade dos transeuntes, com a musicalidade das flautas e, em um misto de satisfação e espanto, confidenciou ao guia da excursão:
– Linda essa bandeira do arco-íris! – disse colocando a ponta dos dedos espalmados sobre o próprio peito.
– Te gusta? – respondeu-lhe o interlocutor.
– Sim, mas sou só simpatizante! – não queria comprometer-se ainda no início da jornada.
– E yo soy praticante! – sentenciou o descendente de Incas referindo-se à bandeira ancestral.
Divinas se encontrou. Quero dizer, acreditou ter encontrado o seu “cara-metade”. E seus olhos brilharam, quase foi às lágrimas. Sentiu-se inteiro, preenchido ainda que não correspondido. Fazer o quê? Isso mesmo, nada de sua cara-metade… Apesar das cantadas insistentes e até criativas de Diocleciano, Bartholomeu não cedeu aos seus encantos, nem quando preparou-lhe as preciosas iguarias que poderia oferecer a alguém…
Bem, ele sofreu uma enorme desilusão amorosa, mas aí já é outra história… Afinal, a finalidade de tudo era revelar-se – e assim foi feito – jamais havia sido encontrar um grande amor, pois essas coisas somente acontecem por puro acaso…

criado por contonton    15:57 — Arquivado em: Contos

9/9/08

O coreto…

 

 

Por Antonio Nunes Barbosa Filho

 

Estava em Diamantina, em um evento científico. Em realidade, mais parecia um encontro de professores-pardais, gente que parece que não tinha mais o que fazer e aí dedicava, assim como eu, a maior parte do tempo à busca de soluções para necessidades alheias. E olha que não eram apenas engenheiros não. Tinha de tudo um pouco… Vixe, quanta gente legal!!!
Senti-me em casa por aqueles dias. Dias de gostoso aprendizado, nos quais descobri um monte de novidades, entre elas mais um pouco da hospitalidade mineira. Acolhedores e simpáticos, bem que eles sabem como alcançar nossos corações, seja pela culinária maravilhosa, seja pelo sorriso cativante e por tantas coisas boas que nos propiciam prazerosas sensações.
Posso dizer que quem um dia passa por estas terras, se não ficar para sempre, vai, no mínimo, voltar para o seu rincão com algo diferente – e para melhor – em sua maneira de ser e coloca um brilho no olhar…
Enchi os olhos por aqueles dias. Pro prato gostoso e caprichado posto à mesa, pra cabocla mineira que com o seu jeito de ser a todos encanta e não podia deixar de fa;ar de um “mói” de coisa nova que me foi ensinado…
Pense por quantas vezes eu tive de dizer intimamente muito obrigado!
Teve até retreta, bandinha, fanfarra… Vixe, que eu num queria sair dali mais não! Um tiquinho de mim ficou por aquelas terras. Eita quanta boa recordação!
Sobe ladeira, desce ladeira, dobra esquina, entra em beco, lá ia uma “ruma” de gente parecendo procissão… e o caboclo que ia à frente – por saber que não é nem um pouco santo – ainda hoje peço por ele em cada oração…
Só senti falta de uma coisa… Não descobri e nem vi onde fica o coreto… Por que não tem coisa melhor que coreto pra gente passar as horas bem acompanhado quando fica enamorado… E apoi… Tô “ dizeno” alguma inverdade?
Pois foi, em meio a tanta pedra – de aparente dureza –, fui no íntimo tocado…
E como bom nordestino, não me dei facilmente por vencido. Então, à noite, em contrição junto à cama, renovo sempre o mesmo pedido: que me dê, Deus, a ventura de sentir outra vez o friozinho no amanhecer, o sol surgindo que vem para aquecer, o cheiro do café, o sabor do pão de queijo e, é claro, dela toda aquela ternura que fiz por merecer…

 

criado por contonton    22:15 — Arquivado em: Contos
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