Contos e Histórias de Tonton

Contos, histórias, poesias e muito mais coisas do mundo literário de Antonio Nunes, carinhosamente chamado de Tonton por amigos e familiares.Visite também: http://contonton.blogspot.com

27/7/08

O dedo mindinho…

 

Por Antonio Nunes Barbosa Filho

Para Paloma Priscila Oliveira

 

Todos juravam que jamais haviam visto casal mais feliz. Eles eram o mais perfeito símbolo do amor juvenil. Sempre de mãos dadas e sorrisos nos lábios, eram de causar inveja. Uma saudável inveja – se puder existir neste sentido tal pecado capital. Melhor dizermos que ficávamos felizes em vê-los felizes. Era como se a imagem nos contagiasse e participássemos da felicidade deles!
Mas, infelizmente, toda aquela felicidade não durou para sempre. Pois foi, uma fatalidade deu fim àquela aparente felicidade. Sente aí, se ainda não estiver sentado ou sentada, e preste atenção na história que eu vou te contar… Se você tiver coração forte, é claro!
Sabe o dedo mindinho? Isso mesmo, o dedo mínimo, aquele pequenininho, em geral fininho e com tão poucas funções? Serve para poucas coisas além de “catucar” o ouvido, não é mesmo? Aquele que por vezes fica pendurado, parado no ar – de maneira afetada – quando se toma um café também pequeno em um bar, no fim da tarde ou já à noite, ou em um restaurante depois de uma refeição? Pois foi ele o culpado… Pode acreditar!
Apaixonados que eram, ficavam por horas na internet, batendo papo, web cam ligada e ele ligado nela, fissurado na figura dela… Era um charme quando ela levava o dedo mindinho à boca e ao vê-la mordiscá-lo, ele ia às alturas…
– Entende o que eu digo né? Atraente, uma verdadeira tentação! – confessou ele.
Só que um dia aconteceu o pior. Um acidente! E ela perdeu o dedo mindinho. Bem que tentaram reimplantá-lo, mas não teve sucesso a empreitada. Ele levou o dedo pra casa, colocando-o num vidrinho para ser preservado. Ele a deixou pra lá… O querer dele por ela resumia-se ao dedinho. Fetiche mesmo!
Coitada dela? Que nada! Arrumou coisa muito melhor. Um cara legal que a apreciava por inteiro. Quer dizer, mesmo que ela não tivesse o dedinho. Para o seu novo amor a falta do dedinho não fazia a menor diferença.
Disseram que ela vai ser candidata ao executivo municipal nas próximas eleições. Pelo que eu soube, ela tem grandes chances de ser eleita! Vai ver é só o início da caminhada até o Planalto…

 

criado por contonton    23:21 — Arquivado em: Contos

24/7/08

Olhos abertos…

 Por Antonio Nunes Barbosa Filho

 

Se naquela hora ela não abrir os olhos, abra o olho…

 

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criado por contonton    21:30 — Arquivado em: Contos - MM

23/7/08

Ousadia e aprendizado…

 

Por Antonio Nunes Barbosa Filho

 

Certo dia, fui generosamente presenteado  com o livro "Sertanidade", com dedicatória e tudo, das mãos do próprio Carlos Cavalcanti - empatia de conterrâneos paraibanos -, poeta-maior de métricas irretocáveis, de sonoridade marcante, que desmistifica com a simplicidade sertaneja toda a beleza desta magnífica literatura, poesia em motes, glosas e sonetos arrebatadores.

Com seu jeito calmo, chamou-me de lado e pediu-me que lhe enviasse as minhas impressões acerca da obra. Impossível deixar de atender tão singelo e sincero pedido, ao que, em poucos minutos, em resposta -  definitiva - escrevi  a seguinte quadrinha:

 

"Ah, mestre! Que mais difícil encomenda,

Comentar tua obra, perfeita, sem reprimenda,

Como se fosse possível o atrevimento da emenda,

Cala-te, aprendiz! Leia, reflita e aprenda…"

 

Que mais eu poderia escrever?

Em tempo: esta é uma obra que merece mais que ser lida, merece ser degustada e refletida!

 

criado por contonton    19:48 — Arquivado em: Pessoais, Poesia

18/7/08

Meus relacionamentos…

 

Por Antonio Nunes Barbosa Filho

 

Certa vez, me relacionei com uma médica. Não deu certo…

Estava sempre cansada de tantos plantões e sempre havia alguém para ter  a sua atenção antes de mim… Vivia voltada para a profissão…

Certa vez, me relacionei com uma advogada. Não deu certo…

Cada conversa que tínhamos parecia uma audiência na qual ela tinha que vencer o imaginário embate… Vivia pautada pela profissão…

Certa vez, me relacionei com uma engenheira. Não deu certo…

Era extremamente racional no trabalho e, embora eu não lhe desse motivos, era extremamente ciumenta… Não conseguia agir da mesma forma na vida afetiva quanto na profissional…

Certa vez, me relacionei com uma farmacêutica. Não deu certo…

Como era impossível eu agir exatamente da mesma forma todos os dias, mantendo inalterado o humor, ela sempre queria me dar um "remediozinho" …

Como profissional ela sabia exatamente do que eu precisava para ser aquilo que ela desejava que eu fosse…

Certa vez, me relacionei com uma mulher… Fui Feliz!

 

criado por contonton    20:07 — Arquivado em: Contos

17/7/08

Hoje eu não acordei…

 

 

 

Por Antonio Nunes Barbosa Filho

 

Não precisei abrir os olhos, nem espreguiçar e tampouco calçar os surrados chinelos do tipo franciscano, bem ao estilo dos aposentados que, como eu, esperam esse dia de hoje chegar…
Não precisei catar os óculos por sobre o criado-mudo, afastar as cortinas para abrir as janelas e deixar um pouco de sol e de luz entrar nesse quarto frio e úmido onde me refugiei como em uma casamata, uma fortaleza ou um forte-apache com o qual tanto brinquei em minha infância e juventude.
Não vou ter que esperar a água ferver para pô-la sobre o pó e vê-la descer misturando-se ao café, escorrendo garrafa térmica adentro. De igual maneira não precisarei molhar o pão dormido no café pingado com leite e fartamente adoçado, pois já não faz diferença se os dentes estão moles e o que ponho na boca está duro.
Não irei à pracinha da esquina encontrar os poucos conhecidos que ainda não se foram, pela idade ou porque já não tenho mais o que lhes oferecer. Também não precisarei mais ir à padaria do bairro, caminhando solitário até lá, onde não mais tomarei tranquilamente a sopa ao cair da tarde, enquanto a mocidade se agita querendo vencer o tempo e tenta conseguir algum tempo a mais para si, embora se esqueçam de ter tempo para si e para os mais próximos.
Não vou precisar dar bom dia, boa tarde ou boa noite a ninguém. Tampouco vai ser preciso fazer uma boa ação, uma oração, provocar um sorriso sequer. Não terei nem que me preocupar comigo mesmo. Com coisa alguma!
Em verdade, não tem mais nada que eu possa ou precise fazer! Já está tudo feito, reflexo de como vivi. Agora é só esperar, de olhos fechados, a desintegração de meu corpo. E isso é tudo!
Eu que tanto trabalhei, deixei de lado a família e a minha saúde por imaginar, inutilmente, que era importante para aquela organização. Aprendi, nesse caso, que ninguém é insubstituível…
Sei que, enquanto trabalhador, cumpri minhas obrigações. Mas quanto a mim mesmo e à minha família e amigos, o que poderia dizer?
Acredito que hoje tenho a resposta. Não acordei e hoje estou sozinho. Aliás, sozinho como sempre estive…

criado por contonton    22:38 — Arquivado em: Contos

O sonho…

 

Por Antonio Nunes Barbosa Filho

 

Ele respirou profundamente, levou o lápis à boca e se colocou a imaginar como poderia expressar-se com toda propriedade. Suspirou, retirou o lápis da boca e tornou a colocá-lo lá, desta vez mordiscando-o. Imaginou se deveria confessá-lo à professora e, assim, a todos da sala, pois colocá-lo no papel, preto no branco, seria o mesmo que assinar uma confissão.
Teve medo! Depois se encheu de coragem. Inspirou profundamente, para, em seguida, recuar mais uma vez. Estava aflito! Com que olhos o veriam? Como seria percebido e tratado entre os colegas? Talvez fosse apontado com orgulho ou se tornasse o motivo de chacota de todo o colégio. A dúvida persistia… O tempo passava e ele continuava sem saber se deveria escrever o que ele pensava escrever.
Foi quando a sineta tocou para o intervalo e ele acuado pela exigência de entregar a redação valendo para a nota, em um gesto de quase desespero, tão intenso para os seus nove anos de idade, transpôs ao papel:
– Professora, o meu sonho, quando eu crescer, é casar com você!
E não assinou. Pensando que desta forma iria manter em sigilo a sua identidade, se esconder, se proteger para todo o sempre. Confessou, entregou-se e se declarou inocente!

 

criado por contonton    20:42 — Arquivado em: Contos

16/7/08

Você conhece Ducréia?

 

 

 

FATO VERÍDICO VERDADEIRO, ocorrido comigo algum tempo atrás…

 

Por Antonio Nunes Barbosa Filho

 

Alguns anos passados prestava serviço em minha casa uma diarista que se achava maravilhosa. Fazia estágio na faxina enquanto não era descoberta por algum olheiro de agência de modelo e manequim. Acho mesmo que se eu não tivesse dado as contas dela, ela ia dar uma de Maria do Céu (de "A favorita") comigo… Só que erra burrinha, burrinha, quase uma pedra. Desprovida de qualquer tirocínio a coitada. Aí, certo dia, chegando a casa perguntei se alguém havia telefonado. Ela, de imediato, sempre solícita - até demais -, me disse: - Seu Antonio, uma tal de Ducréia ligou e pediu pro senhor pegar uns processo lá com ela.

Pensei com os meus botões: Ducréia? Ducréia?!? Não conheço ninguém com esse nome… Processos? Seria alguma advogada? Sei não…

Então, depois de breve reflexão, me dei conta que era "Do CREA". Fazer o quê?!? Rs!

criado por contonton    20:23 — Arquivado em: Pessoais

Eleições 2008, acredite quem quiser…

 

 

Hoje, 16 de julho, é feriado em Recife. Dia da padroeira. Bom, em se tratando do Brasil um país laico, em afirmação constitucional, não deveria sê-lo. Mas, fazer o quê? No próprio preâmbulo da Constituição Federal se fala em Deus, pelas Suas graças. Não que eu seja ateu, pelo contrário, acredito que acima de tudo está e existe a sublime grandeza da alma humana. Ah, por falar em igrejas, estou fundando uma. A Igreja do Evangelho dos Caçulas. Afinal, toda família com filhos tem um e mesmo o filho único é caçula. Aceito doações para iniciar a minha obra…

Antes de falar do "acredite quem quiser", quero deixar claro que, apesar de residir em Recife há cerca de 15 anos, ainda tenho domicílio eleitoral em João Pessoa, onde residem os meus familiares. Dia de eleição, se a gente não estiver disposto a justificar, todo mundo acaba indo visitar os familiares, não é mesmo? E comigo não é diferente. Por falar em diferente, pelo que sei nesses meus quase 40 anos de vida, pela primeira vez João Pessoa tem um prefeito que tem maciço apoio popular e, pelo que se sabe, ainda não está envolvido em nenhum escândalo. Não é que ele vá, mas, como se diz, ele deve ser reeleito e é justamente no segundo mandato que a coisa descamba. Veja-se os exemplos no executivo federal. Bom, a verdade é que ele tem feito uma boa administração e tanto é que, como apareceu em uma charge local, tá chovendo candidato a vice na chapa dele para estas eleições, inclusive entre os seus opositores mais ferrenhos. Dá pra acreditar? Todo mundo quer garantir uma boquinha… Pelo menos até agora não se soube do desvio de alguns milhões de reais encobertos por uma eleição ao senado como o antecessor dele.

 

 Feriado chuvoso em Recife, saí de carro para resolver algumas coisas. Circulando pela cidade me deparei com alguns painéis de candidatos às eleições deste ano e comecei a reparar em seus slogans de campanha. Um dizia assim: "Com este você pode contar". Então quer dizer que não dá para contar com todos os demais? Sabe que você tem razão! Pense num candidato sincero… Se ele for eleito, pelo menos saberemos que com um único poderemos contar, já que os outros fazem só para si e para os seus, não é verdade?

Um outro candidato, este agora ao executivo municipal, trazia nos muitos painéis - e põe muito nisso - o slogan "Vai fazer mais e melhor". Nossa, que demonstração de disposição para o trabalho! Antes de destilar o meu veneno gostaria apenas de apresentar-lhe duas perguntas: 1) Se tem tanto a fazer, que apresente as medidas ou obras que deseja realizar se eleito. E digo que as relacione uma por uma e vamos debater os projetos e não as palavras; 2) Se vai fazer mais, nem que seja em número, que diga de onde vai tirar o dinheiro para tais projetos. Mas, pelo amor de Deus, só não crie ou amplie os tributos municipais que ninguém mais agüenta porem a mão em nosso bolso! Se vai fazer melhor, então por que não denunciou ao ministério público o que está sendo feito de má qualidade pela atual gestão? Afinal, não existe dinheiro do Estado e sim dinheiro da população à disposição de seus governantes… Aliás, tem razão, na maioria das vezes mal utilizado…

 Bem, como sugestão final, gostaria de pedir aos senhores candidatos que não gastassem rios de dinheiro em suas campanhas, mas que fossem às comunidades saberem exatamente de que precisam e utilizassem este dinheiro para atenderem suas necessidades. Isso sim seria uma forma de nunca mais perder a estima de seus eleitores. O que não se sabe é como os não eleitos - e mesmo os eleitos - arrumam grana para quitar as suas dívidas de campanha. Talvez esteja aí uma das fontes da corrupção…

Não tem como não continuar discrente diante destas coisas que estão acontecendo. O presidente da República não sabia de nada do que estava acontecendo nos bastidores, igualzinho a Rosinha Garotinho, no Rio de Janeiro, que mandou às favas seus secretários de saúde e trabalho que agora respodem a processos diversos… Certamente, ela também não sabia de nada… Tá na hora do salvesse quem puder… E a coisa tá fedendo… e muito!

 

Bom, é isso! Abraços a todos, da terra do frevo e do maracatu.

 

criado por contonton    12:15 — Arquivado em: Pessoais

15/7/08

Eis o culpado de tudo isto…

 

Prezados freqüentadores deste blog, muito prazer! Quase irreconhecível com esta cara tão séria e neste paletó "pretinho básico", cá estou…

Esta foto foi tirada originalmente para ser utilizada na nova identidade profissional do Sistema CREA/CONFEA. Era de manhã cedo e e eu estava tentando manter abertos os olhos. Levantei a pálpebra bem na hora em que o fotógrafo clicou. E aí, fazer o quê?!? Nada, foi uma foto tipo Polaroid, para pronta revelação, já que eu estava atrasado para entregar a documentação. Não teve jeito, ficou assim mesmo…

Quem reclama tem razão: a 2a feira é realmente triste! Ra ra ra

Abraços a todos, da terra do frevo e do maracatu,

Tonton

criado por contonton    22:56 — Arquivado em: Contos, Contos - MM, Pessoais, Poesia

Soneto de um sonho…

 

 

 Por Antonio Nunes Barbosa Filho

 

Sonhei com a vida
Sonhei com um sonho
Sonhei com um mundo justo
Sonhei com você

Sonhei com crianças
Sonhei que não passavam fome
Sonhei que tinham lar
Sonhei que tinham nome

Sonhei com a vida
Sonhei comigo mesmo
Sonhei que não era sonhador

Acordei de um sonho
Acordei num mundo injusto
Acordei sem você!

 

criado por contonton    12:03 — Arquivado em: Poesia
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