Contos e Histórias de Tonton

Contos, histórias, poesias e muito mais coisas do mundo literário de Antonio Nunes, carinhosamente chamado de Tonton por amigos e familiares.Visite também: http://contonton.blogspot.com

30/6/08

Ê povinho…

 

 

Calma, calma, muita calma nessa hora… Não adianta espernear… A questão é que estou de corpo e alma (e cabeça, se me entendem!) enfiado na conclusão de um livro de engenharia. Afinal, é com a engenharia que pago as contas do dia a dia, inclusive a edição de meus livros de contos (e não foi trocadilho não, é a mais pura verdade!). Então, não adianta reclamar e me xingar pedindo pra eu postar mais contos no blog, etc, etc…

Bom, brincadeiras à parte, agradeço a atenção das mensagens de cobrança e o incentivo das gentis palavras de que os meus textos são gostosos de ler, etc, etc. Mas a questão é esta: estou com o tempo reduzidíssimo para digitar e postar os escritos no blog. Mas, se desesperem não, de quando em vez vai ter sempre alguma coisa por aqui pra vocês saciarem a sua sede de leitura. Ok? Valeu!

Ah, o meu prazo para entregar os originais é 04 de agosto, então até lá… perdoem-me se o blog definhar…

Abraços a todos, da terra do frevo e do maracatu,

Tonton

criado por contonton    12:04 — Arquivado em: Contos, Contos - MM, Pessoais, Poesia

Indescritível…

 

Por Antonio Nunes Barbosa Filho

Você já se pegou admirando a mulher que está em seu colo? Ou melhor, você já aprendeu a dar colo para uma mulher? É das coisas que as mulheres mais apreciam em um homem é quando este sabe lhes dar colinho… Tem que ser com atenção, com exclusividade, com muito carinho e proteção, entre os altos e baixos da vida, com uma inegável satisfação de tê-la ali aos nossos cuidados, não é verdade?

E nós, homens, absortos em nossa admiração, ficamos extasiados com aquele sorriso, com aquele brilho dos olhos a nos mirar, com o suave calor do toque, com a gostosa sensação de tê-la completamente nossa, só nossa, naquele momento único, indescritível, íntimo, intenso, efêmero e, ao mesmo tempo, eterno.

Não importa que idade elas tenham. Sabem bem de seu poder de sedução. Se tiver trinta, como a minha namorada… que tesão! Se tiver seis, como a minha afilhada… que explosão de alegria! Se tiver setenta, como a minha mãe… que emoção ainda poder acariciá-la!

Bem que disseram que cada mulher em nossa vida é uma dádiva, uma flor, cada qual com seu próprio significado, para ser amada, cultivada, cada qual de um jeito bem próprio, para que se torne cada vez mais encantada… Para que cresça cada vez mais o encantamento, o sentimento…

criado por contonton    11:53 — Arquivado em: Pessoais

25/6/08

Absurdos, que nada… na POTYLIVROS

 

 

Prezados freqüentadores deste Blog,

 

Quem desejar  também adquirir  o meu mais recente livro de contos, "Absurdos, que nada…", que, entre outros, traz os premiados "O assalto…" e "O louco Tomé…", poderá fazê-lo na POTYLIVROS (www.potylivros.com.br). Façam a busca por ANTONIO NUNES.

 

Abraços a todos ,Tonton.

 

criado por contonton    19:23 — Arquivado em: Contos, Contos - MM, Pessoais, Poesia

Falsas imagens… na Livraria Cultura

 

 

Prezados freqüentadores deste blog,

 

Atendendendo a pedidos, informo que o meu livro de contos "Falsas imagens…" já se encontra para aquisição no site da Livraria Cultura (http://www.livrariacultura.com.br).

Procurem por autor ou editora ANTONIO NUNES BARBOSA FILHO.

Espero que apreciem. Aguardo suas opiniões. Abraços a todos.

Tonton

 

criado por contonton    18:18 — Arquivado em: Contos, Contos - MM, Pessoais, Poesia

17/6/08

Afrodite…

 

 

 

Por Antonio Nunes Barbosa Filho

 

Afrodite era um amor de pessoa. Comunicativa como ela só. Só que era mudinha, não conseguia e nem sabia dizer uma palavra sequer. Mas, mesmo assim, era encantadora e tinha um brilho no olhar… Ah, aquele brilho no olhar! Tinha um poder de… de… Bom, até hoje não consegui definí-lo com apenas uma palavra. Tudo o que eu sei é que a todos conquistava com a doçura daquele olhar. Bom, mas eu vim aqui para contar a história do dia em que ela - isso mesmo - se apaixonou.

 

criado por contonton    3:59 — Arquivado em: Contos

16/6/08

Insistência e desistência…

 

 

Por Antonio Nunes Barbosa Filho

 

Paulo Henrique era letrado, de gosto refinado, sempre bem informado, mas, por essas coisas próprias da vida, ficou apaixonado por uma surfista de belas formas, cabelos parafinados e vocabulário reduzido. Tentou de tudo para conquistá-la. Nada parecia surtir efeito. Ela não aceitava seus presentes, galanteios e nem os seus convites. Ele, entretanto, permanecia abduzido em admiração. Outros teriam em pouco tenpo desistido. Tudo era insucesso. Porém, o que parecia impossível aconteceu. Uma mensagem de texto pelo celular ele recebeu: - Ok, vc conseguio!

Duas semanas se passaram e ele não lhe respondeu. Então, uma amiga dela o interpelou a respeito: - Cadê toda aquela paixão?

Ao que ele emendou: - Diga a ela que ele "desistio"!

 

criado por contonton    10:51 — Arquivado em: Contos - MM

14/6/08

Três dias na Vida de Cristo…

 

 

Por Antonio Nunes Barbosa Filho

 

- Mas Pai, tu mesmo me disseste que eu tenho uma missão a cumprir! Deixa-me ir!

 

- Meu filho querido, veja o que te fizeram em tão pouco tempo. Com quanto ódio te trataram e quanta dor te causaram… Perdoe-me, filho! Mas não posso te deixar partir… És o bem mais precioso para mim. Sabes o quanto te amo!

 

E as argumentações e contra-argumentações continuaram por três dias, ao final dos quais Jesus retornou à Terra.

 

Então Deus falou àqueles que O cercavam:

 

- Pois bem, não será à toa que ele servirá de inspiração para gerações de jovens, para o seu inconformismo diante das injustiças da humanidade, para a sua rebeldia… E isto o que aconteceu entre nós terá lugar por toda a eternidade e será chamado de conflito de gerações!

 

criado por contonton    17:54 — Arquivado em: Contos - MM

12/6/08

O salão de espera…

 

 

Por Antonio Nunes Barbosa Filho

 

Estou em um aeroporto. Aqui cheguei às duas horas da manhã. Preciso e desejo voltar a casa, lá em Recife. De repente, um chamado da companhia aérea avisa que o aeroporto destino de um outro vôo não apresenta condições de pouso devido à neblina - está “fechado”.
De repente, mais uma vez, pessoas correm aos telefones públicos para ligar para pessoas que as aguardam. São familiares, amigos, parceiros comerciais… seja para quem for. TI-TIN-TUM, quantidade igual de telefones celulares têm seus “flips” abertos para cumprirem igual missão.
Passa o tempo. Tenho pressa para chegar. O meu vôo está confirmado, apenas é muito mais tarde. Devo esperar. Tenho paciência para isto. Uso o meu tempo observando as pessoas. Procuro apreender, perceber emoções nos comportamentos. Vou percebendo delimitações de expressões nos rostos, na movimentação angustiada. Um casal permanece inalterado em suas carícias mútuas. Alguns se sentam ao chão como que conformados. O salão vai ficando lotado. Chegam mais e mais. Parece não haver perspectivas.
Já faz alguns minutos há demora. Cigarros são acesos, tragados ansiosamente. Cafés deglutidos pesarosamente. O vídeo de comerciais já se repetiu por inúmeras vezes. Ao invés de relaxar, começa ser IRRITANTE, ESTRESSANTE e… torna-se desprezível, até virar um ilustre despercebido. Celulares tocam a cada momento. Preciosos minutos não podem ser perdidos. Há muito que fazer.
Uma criança corre irrequieta. Uma inquietude reflexo da seriedade, quero dizer, da sisudez, das faces enrijecidas pela preocupação com os tantos compromissos a esta altura não atendidos.
Pessoas permanecem estáticas, outras circulam desordenadamente. Não se interessam por nada além de suas próprias preocupações.
De repente, observo que alguém de forma isolada retorna ao “orelhão” e começa a ouvir algo que aos poucos vai mudando sua feição e… VIBRA, VIBRA INTENSAMENTE. Sorri espontaneamente, pleno de alegria. Uma alegria que qualquer dos presentes não poderia compreender. Então, querendo compartilhar com todos tal alegria, ele explica tal satisfação: - PAI, eu sou pai. Eu tenho um filho a me esperar. Estou feliz porque tenho um bom motivo para voltar.
Ainda que por poucos segundos, todas as feições perdem a rigidez. Um alívio coletivo transparece no ambiente. E todos, mesmo que de forma efêmera, conquistam a mesma alegria. Têm uma fração de suas vidas mudadas pelo exemplo, pela coragem de se expor de alguém despretensioso e que, acima de tudo, teve coragem de ser verdadeiro, autêntico. Que maravilha!
Tenho a notícia de que a minha aeronave também se atrasará. Mudo o meu semblante, pareço não acreditar que também acontece comigo. Olho ao meu redor. Nada é igual ao começo de tudo.
Chega a hora do meu embarque, não farei mais parte daquele grupo. Não sei bem se todos tirarão do ocorrido a mesma lição que aprendi. Contudo, tenho para mim a certeza de que muitos comentarão o fato e de que terceiros que não estavam presentes, através da reflexão, incorporarão algo significativo em suas vidas. São 11h, estou partindo. Para cada um de vocês meus amigos: Boa viagem… 

                                            Aeroporto de Cumbica - SP, 24 de março de 1997.

criado por contonton    18:23 — Arquivado em: Pessoais

10/6/08

O pimpolho…

 

 

 

Por Antonio Nunes Barbosa Filho

Para Braga Câmara

 

Dizem que ele era realmente um fenômeno! Dizem até que ele aprendeu a ler e a escrever antes mesmo de aprender a falar! Pelo que corre na vizinhança tudo se deve a uma babá que ele teve logo nos primeiros meses de vida que, preguiçosa que era, deu-lhe para morder alguns lápis de coloridos de cera. Como o gosto não era bom – dizem né, eu nunca provei – parece que ele arremessou o giz de cera contra a babá, contudo, sem acertá-la, se encantou com as cores que saiam de sua boca. Dizem mesmo que foi este trauma que fez com que ele demorasse a falar. Convenhamos isso não se faz com um bebê! Coitadinho dele, não é verdade?
Ao que parece, ele aprendeu a fazer riscos coloridos e se encantou tanto com as cores que chorava dia e noite se não os tivesse ao seu lado quando acordava. E vocês sabem como é criança nessa idade, come, dorme e suja fraldas… Bom, no tempo em que ele era bebê ainda não havia as fraldas descartáveis como hoje em dia. Sujou, joga fora. Disseram-me que ele aprendeu a ler e a escrever observando o pai que era professor universitário e vivia às voltas com livros e mais livros, provas e mais provas.
Era o pai que saía com ele no carrinho para passear e dar uma folga para a mamãe que ninguém é de ferro. O danado é que o pai o levava no carrinho e ficava a ler todo o tempo. Aí o bebê começou a tomar gosto pela coisa e…vupt!, num passe de mágica, começou a ler e a escrever do nada. Surpreendente? Põe surpreendente nisso!
A coisa era tão estranha que os pais dele tiveram que se mudar da cidadezinha do interior para a capital. Acho que você entende bem a situação. Cidade pequena, a noticia se espalhou. Eles já não tinham mais sossego. Em poucos dias o bebê se tornou atração quase que circense. A coisa tava ficando fora de controle. Todo mundo queria saber a receita de algo tão inusitado…
Na capital eles tiveram sossego por alguns anos. Ele já estava na 4ª série primária quando a professora descobriu os dons literários dele. Redações, composições, poesias, romances e outros escritos eram de uma qualidade surpreendente. Em poucos dias havia jornalistas querendo fazer reportagens, redes de televisão querendo exclusivas, debates nas rádios, manchetes de jornal… O circo estava armado!
E não deu outra!
Críticos e escritores se curvaram ao seu talento. Ele ia ser o mais jovem escritor a tomar posse na Academia de Letras. Tinha menos de 10 anos e iria alcançar a imortalidade. E alcançara de modo tão simples algo que alguns adultos só o conseguem – e muitos nem com isso – após muitos acertos e… Bom, você sabe o que eu quero dizer…
No dia marcado para a posse, surpresa! Ninguém sabia ao certo o seu nome. Pois, desde sempre o tratavam apenas por “pimpolho”. Era o pimpolho da Academia e pronto. Bastava isso… A hora foi passando, passando e nada do pimpolho chegar. Os ânimos foram se exaltando. Alguns diziam que era um desrespeito, um absurdo o que ele fazia… E por aquilo, por tamanha desconsideração a todas as honras que lhe eram dirigidas, jamais teria abertas as portas da Academia outra vez…
Pelo que se soube, dias depois, ele ficara para recuperação. Pois é, justo ele. Devido a alguma nota baixa? Que nada, por que faltara a prova pra ficar jogando bola na rua de casa com uns amigos… Coisa de pimpolho mesmo! E pelo que eu soube, quando cresceu ele se formou engenheiro e dos bons. Dizem até que seguiu a carreira do pai como professor universitário e tem alguns livros técnicos publicados. Todos devidamente esgotados… E, nesse momento, ele trabalha duro para revisar os textos e ampliá-los para uma nova edição.

criado por contonton    8:58 — Arquivado em: Contos
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