Contos e Histórias de Tonton

Contos, histórias, poesias e muito mais coisas do mundo literário de Antonio Nunes, carinhosamente chamado de Tonton por amigos e familiares.Visite também: http://contonton.blogspot.com

18/1/08

De volta…

 

Prezados amigos,

Enfim, estou de volta. Depois de andanças e comilanças (sem muitos exageros, é claro!), cá estou eu de volta às terras do Leão do Norte com algumas horas de estrada (aqui sim, foram muitas mesmo!) e histórias e contos para contar. Aguardem!

Cordial abraco do frevo e do maracatu,

Tonton

 

 

 

 

criado por contonton    8:39 — Arquivado em: Contos, Pessoais, Poesia

Romance virtual

 

Por Antonio Nunes Barbosa Filho

 

Ai de mim, carmim, ela faz assim…
Sabe o que faz e eu sempre quero mais…
Então é festa de imaginação…
Vitória da sedução…
Traz no rosto um sorriso velado, ainda guardado…
Um olhar altivo, significativo…
De quem busca o fim da solidão…
Tem na sinceridade o atrativo…
Com inteligência me prende a atenção…
E me desperta o interesse pleno…
É inebriante, essa troca de palavras caladas…
Uma a uma, cuidadosamente colocadas…
Tenho à disposição apenas o seu rosto…
E mais algumas informações…
Nem por isso deixo de sentir sensações…
Querendo sentir seu corpo em minhas mãos…
A distância, nesta hora, não devia existir…
Alegra-me a esperança do gostoso porvir…
Infelizmente, a tela é fria…
Se pudesse a atravessaria…
Ela seria então o meu caminho…
Para me levar do vazio ao pleno carinho…
E adormecendo a te abraçar…
Teria certeza de que melhor do que dormir é acordar…

 

criado por contonton    0:24 — Arquivado em: Poesia

17/1/08

Por que escrevo contos?

 

 

 

 

Por Antonio Nunes Barbosa Filho

 

Júlio Cortázar diz que o conto tem a capacidade de nocautear o leitor com seu impacto concentrado, sendo adequado em velocidade de narrativa à tradução dos sentimentos profundos e das contradições de nossa alma essencialmente urbana, enquanto o romance e, por extensão, a novela seriam os gêneros que vencem o leitor por pontos e não por nocaute.
Talvez seja o gênero em que, por excelência, o escritor deseja expressar de maneira mais rápida os seus sentimentos, como se desejasse livrar-se daquela coisa, fazer-lhe nascer, tão logo quanto possível, fazer-lhe vir ao mundo. Talvez revele toda a ansiedade de um perfeccionista que deseja o reconhecimento e a aclamação tão breve quanto possível de expor as suas idéias, trazendo à tona vaidades pretensamente negadas.
Talvez seja o gênero mais adequado a escritores contumazes que, embora sejam criativos, não são metódicos ou resignados o suficiente para se dedicarem a escrever textos mais longos. Em razão disso, desejam ver prontas e acabadas na brevidade possível suas obras. Do contrário, não conseguiriam fazê-lo. E se assim o fizessem, o esforço desprendido não poderia retribuir-lhes com o mesmo prazer alcançado pela forma primeira.
Talvez o contista seja um cara anormal, que escreve histórias anormais que só se tornam críveis por que não se dispõe nem de tempo nem de espaço suficientes para serem desconstruídas em tão poucas páginas, conferindo agilidade na escrita. E é, justamente, isso que lhes dá sustentação…

criado por contonton    20:26 — Arquivado em: Contos, Pessoais

Primeiras ilusões…

 

Recordo-me bem a primeira vez em que vi seios descobertos próximos a mim. Eram volumosos, voluptuosos, de uma negra jovem que sabia o que fazia a branquelos mais jovens ainda…
Eu devia ter meus 14 anos, ela entre 19 e 21 anos. Usava decotadas blusas e, provocantemente, puxava a malha para baixo, quase que esgarçando-a, quando deixava os seios à mostra…
Nada dizia e, caso houvesse algum atrevimento, fazia questão de cobri-los. Fez isso por dias seguidos, até sumir sem dar notícias…
Marcante detalhe feminino, talvez seu maior símbolo exterior. Creio que desde cedo somos compelidos a admirá-los…

criado por contonton    20:07 — Arquivado em: Pessoais

O semblante do escritor…

 

 

Por Antonio Nunes Barbosa Filho

 

Já observou a cara de felicidade que um escritor faz quando acaba a carga de uma caneta?
Significa que ele está produzindo…
E já observou o semblante de desespero que ele faz quando seca a caneta e não tem outra em mãos para continuar a produzir?
Significa que ele já não confia na memória e está aflito para não perder o “bonde da inspiração”…
Escritor, como todo ser humano, é mesmo bicho complicado!

 

criado por contonton    19:44 — Arquivado em: Pessoais

Ainda timidez…

 

Por Antonio Nunes Barbosa Filho

 

Ausência de contato, notícias
Não implica  esquecimento
Pode ser apenas silêncio forçado
Daquele negado sentimento

Ao cruzares meus olhares, tenhas logo certeza
Que mesmo sem as palavras, há o pensamento
Não tomes para ti nem mesmo o fato da mais rígida frieza
É porque sufocam-me as dúvidas de tão precioso momento

Longe, vai pra longe de mim
Porque não consigo superá-la
Desaparece, não me conserves assim…

E quando tento, contra eu mesmo e contra tudo
Percebo ser bem mais simples do que imaginara
O coração em desabalada dispara, mas já não me encontro mais mudo…

criado por contonton    18:32 — Arquivado em: Poesia

16/1/08

Algumas esquinas do Recife…

 

 

Por Antonio Nunes Barbosa Filho

Meu Deus, que sandice
Meu Deus, que ingenuidade
Eram meninas que brincavam
Brincavam de ser mulheres

Exibiam como troféus, orgulhosas
As barrigas que cresciam
Como se fossem sinal de liberdade
Quem dera, meu Deus, tivessem consciência

E embora há muito perdida a inocência
Em muito pode tardar a maturidade
Talvez, meu Deus, ela chegue com o rebento

Tomara, meu Deus, pois assim diminua o sofrimento
De quem já sofre calado, lá dentro
E que pode, um dia, estar nas esquinas da cidade!

 

criado por contonton    21:32 — Arquivado em: Poesia

A paquera…

Por Antonio Nunes Barbosa Filho

Era o primeiro encontro. Eles se entreolhavam e buscavam a melhor forma de entender o que o outro queria dizer. Ambos demonstravam realmente boa vontade mútua. Tinham trocado alguns telefonemas e duas mensagens por correio eletrônico. Ele conhecia detalhes da vida dela. Trinta e poucos anos, viúva jovem, uma linda filhinha… Mas ele ainda precisava conhecê-la um pouco melhor para fazer-lhe aquela proposta irrecusável. Não bastavam as informações que preenchiam aquele perfil e respondiam a frias perguntas. Ela depositava nas palavras dele uma confiança contida. Desejava entender as reais pretensões e motivações para ser tão atencioso. Era preciso penetrar na alma dele através daquele olhar. Afinal, o que ele teria de diferente de todos os outros disponíveis no mercado e com quem tanto já se decepcionara? Ele precisava desmistificar as suas expectativas, não poderia e nem deveria iludi-la. Respeito por ela era condição básica e necessária, acima de tudo. Não apenas isso, dignidade era um traço marcante de seu caráter, uma constante no seu cotidiano. Ele estava confiante, mas era preciso fazer crescer nela a confiança nele. Sinceridade no discurso e nos gestos, cuidadosamente observados por ela, foram fundamentais para que ela se sentisse mais a vontade para expressar exatamente o que esperava. Ele deveria ser capaz de mostrar-lhe os seus limites, não poderia mascarar nenhum detalhe. Estavam se entendendo bem, mas ele sentia que qualquer passo em falso, fora de lugar, qualquer demonstração de ansiedade, uma só palavra mal colocada, qualquer precipitação poderia colocar tudo a perder… E isso era tudo o que ele não queria! Ele estava motivado, queria conquistá-la a todo custo. A indecisão daquela bela mulher era um verdadeiro desafio a ser superado. Ela não dizia nem sim, nem não. Por alguns instantes, se fez um silêncio assustador… Ele podia estar conquistando-a ou a perdendo para sempre… Marcaram um novo encontro para dentro de poucos dias. Seria a oportunidade final para surpreendê-la… Ele sabia que poderia não ter outra chance de dizer tudo o que ela esperava ouvir, tinha que ser naquele momento ou nunca mais. Era preciso mais que convencê-la. Era preciso fazê-la acreditar no que apresentava… Ele sabia que não deveria usar artimanhas, subterfúgios, qualquer artifício que mostrasse além do que a proposta realmente significava para ambos. Isso seria demais arriscado, ela se sentiria usada. Não, não era uma disputa ou uma batalha a ser vencida por um dos oponentes. Aliás, não eram oponentes. Tudo às claras, ela se sentiu segura, sem medos. Tornaram-se parceiros fiéis dali em diante. Naquela mesma tarde assinaram os papéis. Ela adquiriu seguros de vida, renovou o seguro do carro, fez um plano de saúde e outro de previdência privada… Ele se sentiu realizado: era um bom corretor… Mas, bem que a conhecendo tão bem como ele a conhecia, fora do horário do expediente, se ela quisesse, bem que podia rolar uma paquera…

criado por contonton    14:56 — Arquivado em: Contos

15/1/08

Falsas imagens…

 

Falsas imagens… é o título do meu livro de estréia na categoria contos.

Ao todo são 28 contos de estereótipo e 2 sonetos - Um que trata da questão da gravidez infantil pelas ruas do Recife e outro que fala da timidez, uma de minhas características pessoais mais marcantes (por incrível que pareça ser, como dizem alguns bons amigos…)

Por que reticências nos títulos de todos os contos? Para que o leitor possa seguir adiante com a sua própria conclusão ou dar um destinos melhor as personagens do conto. Para que ele possa imaginar livremente…

 

criado por contonton    14:36 — Arquivado em: Pessoais

O divã…

 

Por Antonio Nunes Barbosa Filho

Positivo! Sheylinha estava realmente grávida! De imediato, seu pai, conhecido político da região, apressou-se em realizar contatos para arranjar-lhe um marido. Negociações pra lá, negociações pra cá, negócio fechado. Definido o dote em parcelas anuais, o filho de seu principal opositor estava disposto a desposá-la. Mas o acordo previa um mínimo de cinco anos de união conjugal e apoio incondicional nas duas próximas eleições: uma local e outra geral.
A questão agora, para a sua família, pairava em descobrir quem era o verdadeiro pai biológico da criança. A futura mãe, em seu jeito sempre arredio, negava-se terminantemente em declarar a paternidade.
Com aquele corpão no esplendor de seus 21 anos de idade, roupas sempre provocantes, unhas e lábios vermelhos, bronzeado sempre em dia e uma inigualável marca de biquíni “asa delta”, conquistada por horas a fio de exposição ao sol à beira da piscina, poucos homens na cidade deixavam de ser suspeitos do fato, tal o poder de sedução que ela transpirava.
Apesar de todos estes atributos e da fartura de recursos materiais à sua disposição, em realidade, Sheyla era uma pessoa infeliz. Sua mãe não tinha suportado a brusca mudança de estilo de vida – e de caráter, diziam os mais próximos – ocorrida quando seu pai foi eleito para exercer seu primeiro mandato em Brasília e deste separou-se, indo morar em outro estado, muito longe, pois ele não lhe permitira mais visitas à filha, a qual tratava como troféu, tamanha a sua beleza, confirmada em sua evolução da infância à adolescência, e agora no início da vida adulta.
Não lhe restou outra opção a não ser recorrer ao apoio profissional para ajudá-la a compreender as suas incompreensões e minorar-lhe o constante sofrimento acerca de seus sentimentos. O escolhido foi Dr. Fausto, psicólogo de renome na cidade, ex-padre, viúvo sem filhos, já que casara em idade avançada com a também já bastante madura D. Florzinha, à memória de quem dedicava devoção. As sessões foram transcorrendo semana após semana. Era visível a mudança de comportamento operada e a alegria de viver inundava o rosto da jovem.
Em fenômeno bastante comum, Sheyla apaixonou-se por seu freqüente interlocutor, transferindo a atenção profissional para o campo afetivo pessoal. Decidiu conquistá-lo. Algum tempo depois, percebidas as suas intenções, o Dr. Fausto disse-lhe que teriam que encerrar o tratamento. Percebendo que não teria maiores chances, elaborou ardiloso plano para o último encontro. E o resultado desejado foi conseguido. Após “strip-tease” sedutor, foi impossível resistir-lhe. Entregaram-se à conjunção carnal. Mas, o inesperado acontece: o idoso amante não resiste à emoção e falece em pleno ato em enfarte fulminante. Ela veste-lhe e chama a polícia…
Realizado o matrimônio, dias depois nasce a criança. O avô quis dar-lhe o seu próprio nome, mas foi prontamente rejeitado. Como uma última e póstuma homenagem ao seu grande amor, Sheyla o batizou com o nome de Odivan. Perguntada sobre a escolha, ela falou que havia gostado do nome ao ouvi-lo de um narrador num jogo de futebol na televisão, que, aliás, ela detestava profundamente…

criado por contonton    12:39 — Arquivado em: Contos
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